O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Já assistiu àquele filme que você sai com a sensação de que algo muito bom acabou de acontecer na sua vida? Um sorriso no rosto, sentindo-se mais leve e esperançoso. Não? Então é porque ainda não viu O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain) do diretor francês Jean-Pierre Jeunet. Quem viu deve saber do que estou falando. O filme francês possui toda uma atmosfera cativante e bela, age como um poema nos sentidos do espectador, é sensível como vários outros filmes originários desse país, que tanto marcou e revolucionou a maneira de se pensar e realizar cinema com a Nouvelle Vague de Giroud, Goddard, Truffaut, as músicas de Piaf e a beleza propícia de sua arquitetura romântica. 

O filme nos mostra a história de Amélie (Audrey Tautou, perfeita no papel), uma jovem sonhadora e inocente cuja vida aparentemente tão simples e pacata quanto seu simpático semblante é repleta de eventos um tanto estranhos, personagens caricatos e acontecimentos marcantes. Amélie Poulain teve uma infância solitária (o que se esclarece nos créditos de abertura do filme), na qual inventava e imaginava brincadeiras e conceitos sobre as pessoas para tornar sua realidade mais divertida, pois aturar as neuroses da mãe e a distância glacial do pai era muito pesaroso para a menina. Com o tempo, Amélie cresce, mas mantém certos hábitos e trejeitos infantis, possui uma inocência em seu profundo olhar e uma expressão doce, delicada. Está sempre observando e imaginando o comportamento alheio e permite-se algumas doses de pequenos prazeres da vida que gosta de cultivar, como jogar pedrinhas no lago, enfiar a mão em uma grande saca de sementes quando vai ao supermercado e olhar para as expressões involuntárias das pessoas no cinema quando estão assistindo a filmes. Ela agora mora no tradicional bairro de Monmartre com seu gato, trabalha de garçonete em um restaurante com muitos tipos estranhos e não vê muitas expectativas em sua vida. Até que um dia, a notícia da morte de Lady Di resulta em uma pequena série de coincidências que acaba fazendo com que Amélie proporcione um ótimo  e feliz resultado a um velho homem (um dos momentos mais belos da história). Este evento a faz adotar um propósito em sua vida: de agora em diante Amélie fará o bem para as pessoas, essa será sua motriz e ela estará satisfeita com a felicidade que ajudou a instaurar nos corações alheios. Esta será sua recompensa.

A partir daí, começam muitas sequências engraçadas, leves e emocionantes, mostrando que podemos tornar as vidas dos que nos circundam mais felizes apenas praticando pequenos atos de bondade que revelam-se essenciais a longo prazo, assim nos sentindo mais humanos, completos, fazendo com que descubramos em nós mesmos lados desconhecidos e que embarquemos em deliciosas buscas e pequenas jornadas em nossos cotidianos aparentemente “normais” e rotineiros.

O modo como os personagens são apresentados é genial: através de seus tiques e comportamentos, aos quais muitos de nós somos adeptos, mas não vemos sentido em falar sobre, como se fossem segredos ou ações sem importância como não gostar que os dedos murchem no banho, gostar do som que a tijela do gato faz ao tocar o azulejo, estalar os dedos, arrancar pedaços grande de papel de parede, não gostar de tocar na mão de estranhos por acidente quando vai pegar algo. São cenas totalmente verossímeis que fazem com que estampemos um sorriso automático no rosto, por nos projetarmos naquelas situações cômicas. Rimos de nossa própria tolice.

Neste desenrolar de águas, você já deve ter percebido que sou um fã confesso desse filme. Mas isso porque ele realmente é completo na visão deste que vos escreve. A trilha sonora composta por Yann Tiersen (o mesmo responsável pela trilha do ótimo Adeus, Lênin!), a macia narração em off da história e a irretocável fotografia contribuem para o cenário lírico, de realismo mágico e fábula urbana. Realmente uma obra para ver e rever quando quiser uma injeção extra de positivismo ou uma boa, rica e bonita história de amor.

Trailer:

 Curiosidades:

- Jean Pierre Jeunet foi o diretor do filme Alien – A Ressurreição, quarta e última parte da saga. Apesar de em primeiro momento não ter nada a ver com o filme de Amélie, percebe-se a influência do diretor na película, pois ocorrem conflitos éticos e filosóficos, sobretudo focados nas personagens de Wynona Rider (O Cisne Negro) e na agente Ripley, interpretada por Sigourney Weaver (Avatar), sobre o que significa ser humano, até onde podemos manipular e ter controle sobre a vida, a esperança em meio à hostilidade. Também há a marcante fotografia e palheta de cores do diretor. Confiram a saga Alien, clássico de ficção científica. Em breve, postaremos mais sobre esses filmes aqui.

- Audrey Tautou pode ser vista em diversos filmes desde que ficou mundialmente conhecida por interpretar Amélie Poulain, como Albergue Espanhol, a continuação Bonecas Russas, O Código da Vinci, Coisas Belas e Sujas e Coco antes de Chanel, além de outros.

About these ads

Sobre Fagner Deport

Aspirante a publicitário, doido, curioso, cinéfilo, leitor, ouvinte, inquieto, falante, geminiano e desenhista.
Esse post foi publicado em Resenhas e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

  1. Pingback: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain « Francine Pressi

  2. Pingback: O Palhaço (2011) | Cinemeando

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s